BEM-VINDO AO MUNDO REAL !

Aqui tudo é verdadeiramente dito e baseado em experiencias vividas nos meus mais diversos momentos.

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sábado, 26 de junho de 2010

ASTROFOBIA.



Eu gostaria de poder falar aqui somente de coisas boas, coisas alegres, agradáveis, momentos felizes que embelezam meus dias. Infelizmente, não é só de risos que se preenche uma vida, não e só de flores que se constrói um caminho.
Algumas pessoas guardam bem dentro de si, problemas que as vezes carregam por uma vida inteira sem solução. Problemas que não sabemos de onde surgem, mas devastam de maneira cruel o nosso emocional.
Sofro de Síndrome de Pânico, mais precisamente de ASTROFOBIA, sentimento de pavor aos trovões e relâmpagos. O medo está enraizado em mim, ocupa um lugar de destaque em minhas poucas fraquezas. Não há como imaginá-lo e ainda que alguém tente com o único intuito de me ajudar, jamais chegará perto em sua imaginação.
Hoje ao escrever sobre o que me acomete, sinto-me apática, sinto que ele está muito acima do seu nível normal, acho que por isso é denominado Pânico.
É cruel, desmedido, avassalador, imponente, prepotente e tirano. Escraviza, domina, humilha. Impõe sua presença de forma covarde e opressora e deixa uma sensação desconfortável de impotência, de vergonha.
Basta um clarão no céu e todo o meu ser caí como num passe de mágica. Tremor, pavor, suor, descontrole e 46 anos de determinação e coragem, são transportados a 5 anos de idade com suas inseguranças e fragilidades. Meu corpo, meu eu, tudo vai pro chão.
Rogo, rezo, peço, imploro e evoco Deus, repetidas frases de encorajamento e fé, poucas vezes tenho as mãos de quem se propõe a dar um pouco de solidariedade. Poucas vezes sinto a compreensão no silêncio de quem está ao lado(quando há alguém ao lado)
Respeito? Não, seria exigir demais. Na maioria das vezes, as pessoas esboçam sorrisos pela infantilidade que meu comportamento expõe. Geralmente vomitam inúmeros conselhos e lições, parecer e explicações. Falam com autonomia, conhecimento e segurança de “Coisas da Natureza”, “ Pára-Raios”, “Nuvens negativas, positivas” etc...Como se conselhos, palavras, afirmações, fosse o suficiente para me livrar da crise, do transe, como se ao ouvir eu ingerisse quilos de coragem, como se a presença deles me trouxesse a cura.
Ninguém pode imaginar o quão sozinha e doente estou nesses momentos de tempestade, embora acompanhada em raríssimas vezes, é sozinha que me sinto e doente que me vejo.
Busquei tratamento, fiz terapia por 8 meses e posso dizer que obtive resultados favoráveis diante do que eu apresentava na época. Não pronunciava a palavra raio, vedava meus olhos, renegava a vida e ficava deprimida e triste por dias após a chuva.
Não sei em que parte de minha história isso começou, sei que já são exatos 16 anos travando uma luta do prazer pela vida contra o desprazer dos momentos chuvosos.
Sei que somos na maturidade o reflexo de nossa infância, carregamos pela vida a fora, lembranças inconscientes de fatos vividos no passado, nossa personalidade se molda com algumas pitadas de marcas adormecidas em nós, armazenamos emoções que de alguma forma se projetarão no futuro, pois estão lá bem no fundo, prontas para emergir ao 1º problema, ao 1º obstáculo ou desafio que a vida nos apresentar.
Acho que é isso que se passa comigo, sigo devorando a vida numa incansável e incontrolável vontade de viver, faço de meus momentos felizes “ Dias de Sol”, amenizando e tentando controlar um medo que muitas vezes me tira a vontade de ir em frente.
Agradeço a todos que sabem o que vivo e que de alguma forma, até mesmo de maneira errada, tentam me ajudar. Peço, não demonstrem pavor na frente de crianças, não usem frases como “ Papai do Céu tá brigando”, Não as culpem por nada nunca, apresente suas falhas, conscientizem-nas de seus erros, ensinem sem exigências. As mensagens ficam gravadas no inconsciente e no futuro, a infância traz de volta de maneira desastrosa. Conheço uma frase de autor desconhecido por mim, que usarei para encerrar esse texto e que se enquadra bem a todas as situações em que seja necessário um ato de amor e compreensão para com alguém.
“ Dê-me seu amor quando eu menos merecer, pois será com certeza quando eu mais precisarei”
SILVIA MATTOS

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Sheila, o Milagre da Amizade!


5 de Dezembro de 2009, 01:30 madrugada de domingo, o telefone me desperta para o caos em família. No outro lado da linha, ouço meu irmão num pedido de socorro sonolento para Sheila. Levantei-me e parti para inicio de uma cruel realidade.
Chegando a casa de minha mãe, deparei-me com Sheila em completo desespero, as mãos no alto da cabeça, gritando em agonia a dor que lhe consumia. Rumamos para a emergência e após 2 horas em atendimento e observação, retornamos com leve melhora do quadro.
Às 04:45 já de volta em minha cama, uma nova chamada, a situação se agravara. Retorno sem jamais imaginar que naquele instante a vida escrevia mais um capítulo doloroso na história da Familia Mattos.
Após 6 meses, tento colocar pra fora o leque de emoções que vivi, todo o roteiro do que foi para mim a prova prática da sobrevivência ou um simulado de sanidade e heroísmo.
Dias de corre-corre, noites de sobressaltos, horas de aflição, intermináveis indagações, lágrimas, desespero, incertezas, buscas incessantes, apatia, desânimo, dor, espera.
Eu vivi intensamente cada momento, vírgula por vírgula, cena por cena, cada minuto do que me foi imposto. Vi por 3 vezes a morte anunciar sua presença no leito de minha irmã. Em meu intimo, a realidade duelava com a fé numa luta que parecia não ter fim.
Vi amigos distantes já esquecidos, se chegarem como se nunca tivessem partido; vi amigos íntimos do dia-a-dia, se afastarem como desconhecidos; vi pessoas desconhecidas que o momento os transformou em amigos.
Não preciso rastrear os fatos, trago ainda como ela seqüelas do que vivi. Minha ansiedade aumentou e ganhei peso, tenho momentos de irritabilidade, de medo, angústia. Trago um emaranhado de situações que antes não vivia, sonolência, esquecimentos, pesadelos. Tudo conseqüência das condições em que suportei a guerra declarada contra mim e meus irmãos.
Vi minha Mãe emocionalmente abalada, a Sheila mentalmente fragilizada, minhas filhas intelectualmente confusas enquanto Eu, André e Sônia nos tornávamos reféns do medo de diagnósticos cansativos e vazios, do dia-a-dia sádico, do hábito torturante de boletins médicos que tentavam explicar o inexplicável. Membros de uma família inteira se fragmentando individual e silenciosamente.
Nós 3, procuramos nos manter adequadamente adultos, tranqüilos, em silêncio assimilávamos tudo mas não entendíamos nada, na verdade, nossas atitudes eram automáticas, a vida já havia nos unido dessa forma há 18 anos atrás, desestruturando nosso emocional com a partida do Velho Mattos.
Incredulidade, era isso o que nos tomava de assalto a cada boletim médico, Encefalopatia Grave,/Lesão Isquêmica de Origem Bólica/Derrame Cerebral/Hipóxia/Aneurísma/Tetraplegia etc...nosso nível de aceitação e tolerância foi acima do limite, os diagnósticos eram absurdos, os médicos entravam em conflitos, as explicações eram superficiais, duvidosas, faltava clareza, opiniões exatas, parecer determinado, firme e com precisão. Mas como explicar o que não existe, o que não se vê?
Tumografia computadorizada do cérebro, Tumografia Computadorizada do corpo, Ressonância Magnética, Punção, exames laboratoriais bacteriológicos e nada, nada era encontrado. O desdobramento do quadro era o pior, não havia como entender, como decifrar os caminhos inesperados para o qual a patologia de Sheila tendia.
As frustrações se acumulavam, já não era mais possível considerar nada, definir nada, esperar nada.
Todas as religiões foram apresentadas a nós, rezas, orações, missas, cultos, trabalhos, em todos os caminhos buscávamos DEUS. O carinho das pessoas com sentimentos nos surpreenderam. A todo instante mensagens de conforto, telefonemas, visitas. Demonstrações intermináveis de FÉ e a Fé venceu.
Nunca adotei em minha vida nenhuma religião que não fosse a minha de batismo, CATÓLICA. Sempre expus minha opinião contrária e sem receios, sempre discordei, contestei, divergi do que não me parecia lógico. Jamais me interessei por vida após a morte, anjos, horóscopos, entidades, misticismos, etc...46 anos dedicados a uma única crença. Contestei Dogmas, seitas, filosofias de vida, questionei até as leis Divinas.
Hoje, diante de tudo o que vi e vivi, revejo meus conceitos e já não sou mais cética como antes. A medicina, os Médicos, o andamento, o desenrolar da patologia de Sheila contribuíram para isso e agora eu creio que tudo pode existir, inclusive a maldade e embora eu creia em tudo, adotei Deus como minha religião e sei que ele atendeu aos inúmeros pedidos dos maravilhosos amigos que de mãos unidas às nossas, pediram por Sheila.
Seria uma felicidade muito grande para mim registrar aqui o nome das pessoas que atravessaram esse difícil momento com a familia Mattos, pessoas que nos ajudaram de alguma forma até mesmo em pensamento, mas sob o risco de cometer o erro de esquecer um único nome, decido não fazê-lo.
Trago em meu coração o desejo de muita saúde a todos, em meus pensamentos a eterna lembrança do carinho de vocês e o firme propósito de colocá-los sempre em meus momentos com Deus.
Sheila caminha com sucesso na retomada da felicidade interrompida, saboreando a cada dia a vitória de ser merecedora do amor de Deus e do milagre da amizade de todos vocês.
Obrigada sempre!

Amor & Amizade.


Dúbio, contraditório,
Descompromissado compromisso de cumplicidade,
É a total segurança do que não se tem
É de fato, não de direito.
É um equilíbrio dosado em exagero de tanto querer bem.
É o beijo lambuzado na emoção carregado de razão.
É um estar sem ter na proximidade da distancia.
É um encontro casual com lugar e hora certa.
É liberdade aprisionada nas atitudes do prazer da confiança.
É um olhar profundo e terno sem significado e cheio de carinho.
É um toque que vira carinho num desejo sem expressão explícita.
É dividir com possessão o que não se tem.
É um penetrar profundo na alma sem que se chegue ao intimo.É um zeloso desuso do que é especial.
Machuca e fere sem danificar.
É um romance de 1.000 páginas em branco.
É uma história inteira sem ter nada pra contar.
É a totalidade parcelada
De amar, amar e amar.

O que pode ser mais intrigante que a Amizade verdadeira entre um Homem e uma Mulher?

Sílvia Mattos

O VALOR DA VIDA!

O VALOR DA VIDA!

O valor da vida é a importância que você dá a si mesmo.
É o tamanho dos seus sonhos
É o prazer das amizades,
A união da família
A beleza que você enxerga no outro
É o sentir, o tocar, o estar realmente em si e em todo lugar.
O valor da vida é o tamanho de sua fé
De sua esperança.
É querer ter, buscar, ir.
É quanto você teima, abusa, usa.
O valor da vida está na solidariedade, na compaixão, na comunhão, na comum ação.
É ser, estar e permanecer.
O valor da vida, é o valor que você da a tudo o que te cerca
E que te faz crescer um pouco a cada dia mesmo que você não note.
A vida não tem preço, suas atitudes é que te farão ser valorizada.
Aconteça!.

Sílvia Mattos

AS 12...

Em toda a minha vida esse foi o texto que passei mais tempo para escrever. Ainda não acredito na cena que presenciei em minha casa, ainda não entendi que regras infringi das leis de Deus para merecer tal provação, ainda tenho o olhar perdido no nada a procura de respostas.
3 dias já se arrastaram até aqui e minha vida estagnou naquele momento. Se Carlos não estivesse ao meu lado, hoje eu seria uma Vovó de rua, sem teto, dormindo em bancos de praças.
Voltávamos do supermercado e cavalheiro como sempre, ele abre a porta e faz o gesto para que eu entre primeiro. Entrei mas não pude dar o 2º passo, fiquei catatônica diante de tudo. Cheio de sacolas e querendo entrar, eu ouvia longe sua voz me pedindo passagem, ainda conseguia ouví-lo aborrecido pelo peso das compras que carregava mas minhas pernas não obedeciam meu cérebro, na verdade nem cérebro eu tinha mais naquele instante, o sangue se esvaiu de meu corpo e de marrom, fiquei bege.
Não, não era verdade eu pensava e ao pensar, me dei conta que minhas reações retornavam lentamente. Já sentia meu coração bater, já conseguia respirar, mas minhas pernas e meus olhos não mexiam. Enquanto isso, Carlos atrás de mim se amaldiçoava por não ter me pago uma redução de estômago, se o tivesse feito, nesse momento ele me carregaria facilmente e colocaria as compras para dentro.
Recobrando minha consciência dei um passo para traz repentinamente e como ainda não havia recobrado a fala, Carlos foi pego de surpresa, atropelado com as compras ouvindo o barulho do prejuízo dentro das sacolas.
12, 12, 12 BARATAS mortas pelo tapete, pelos cantos, ao lado dos pufs. 12, foi o que ele retirou com a pá de lixo. Com as 12 ele passou pelo pátio para jogar na rua e eu não conseguia gritar, chorar, falar.
Pensei em dormir na calçada mas era era da vala que elas vinham, pensei em dormir na praça mas Carlos já sem paciência, prometeu fazer minha escolta até o quarto.
É claro que não dormi a noite inteira e Carlos mais alterado ainda ficou pois NADA no Universo me faria apagar a luz. No dia seguinte encontro minha vizinha e conto-lhe a tragédia em minha residência, com a pele esticada de uma boa noite de sono, ela me diz que foi por que detetizou sua casa. Dei-lhe um sorriso de boca fechada e olhos cerrados, gritei mentalmente 3 palavrões e a partir de então, procuro casa para alugar em uma ilha deserta.