
Sexta-Feira Santa, 3horas de agonia para Jesus e 24 hs para André. Chego para o almoço e lá está ele no quarto com uma pilha de DVDs em cima da cama. Seu rosto mostra claramente o martírio que vive, anda pela casa à deriva. É um homem apático, triste, contemplando o nada e sofrendo a abstinência do samba. Inquietude, angústia, faz uma refeição a cada 40 minutos e retorna a todo instante ao seu calvário. Às 3hs a agonia de Cristo termina, a dele só aumenta. Onde ir? Nenhum bar abriu suas portas, Oh Pai, porque o abandonaste?
Na tentativa desesperada de sanar a dor que lhe sangra o corpo, liga para Lourdinha Pilatos na ilusão de que ela o diga onde há pagode, a resposta lhe cai como chicotadas, “Nada abrirá”. Na cozinha seu olhar encontra o meu e escuto o seu pensamento dizer TENHO SEDE! O que fazer? Meu irmão já não é apenas um usuário e só agora me dou conta, ele se tornou dependente dos pagodes da cidade. Às 21:hs ao me despedir, vejo Mamãe com ele na cama e ante a cena digo: Mãe eis aqui teu filho, Filho eis aqui tua Mãe. Vou para casa na certeza de que amanhã um amigo ligará para estar com ele no Paraíso e então o sábado com certeza lhe será de Aleluia.

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