BEM-VINDO AO MUNDO REAL !

Aqui tudo é verdadeiramente dito e baseado em experiencias vividas nos meus mais diversos momentos.

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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

MEU BRASIL BRASILEIRO!


Vivo num País incrivelmente democrático onde sou obrigada a votar. Possuo o direito de ir e vir, exceto quando em meu caminho há uma greve ou manifestação.
O eslogan do atual Presidente é UM PAÍS PARA TODOS! TODOS que compactuam com ele. A Justiça por aqui e cega mas enxerga no escuro o que aliás é onde na maioria das vezes o pobre está.
Saúde, educação e moradia é um direito de Todos, Todos que teem dinheiro para pagar por eles. Carteira de trabalho assinada, 13º salário, FGTS, férias e licenças, são conquistas do trabalhador onde os empregadores adquiriram o direito de não cumprir.
TODOS somo iguais perante a lei, desde que tenhamos conhecimento, diploma, status, influência e situação financeira abastada.
A liberdade de expressão é ampla e real, desde que você não mexa com poderosos, ou esteja preparado para responder processos, emudecer ou sumir.
A Igreja caminha com a comunidade, desde que você não seja contra suas imposições radicais. A cultura está por toda a parte, embora o preço de um livro seja maior que 3 quilos de carne, que a faculdade paga seja o valor da casa própria e a gratuita esteja sempre de greve.
Não fazemos discriminação racial embora tenhamos uma cota para os negros ingressarem na faculdade. Temos uma geração de emprego e renda muito aplicada, embora a população carente receba esmolas denominadas bolsa alimentação, vale-gás, bolsa escola ou ainda como renda extra, jovens entrem no mercado informal como aviõezinhos.
Somos um País rico, rico em corrupção, violência, analfabetismo e miséria. Somos um povo alegre que ri da própria desgraça. Um povo hospitaleiro, que recebe multinacionais sem nada receber em troca, nenhum emprego, nenhuma vantagem, nenhum trocado.
Oh Pátria amada, somos filhos de um solo que vai da seca às inundações. Terra adorada, pedimos paz num futuro de invasões enquanto esquecemos a glória de um passado de ditadura.
Ainda que a clava forte da justiça não se erga, verás que um filho teu não foge à luta mas teme a bala perdida, as milícias, o nepotismo, a pedofilia, a fome, o desemprego, a corrupção e a impunidade.
Deitada eternamente em teu berço esplêndido estarei, a contemplar o som do teu mar e a luz de teu céu profundo, na esperança que um dia sejas iluminado pelo sol de um novo mundo.

TROPA DE ELITE!


Já fazia uns 5 meses que eu não me deparava com a maior das inutilidades existentes no mundo dos insetos. As 5:30 da manhã, levanto da cama, dou um beijo em Villy que veio dormir comigo e vou para a cozinha fazer o café. A cena seria a de todos os dias se não estivesse sobrevoando o ambiente, aquela coisa ridícula, estúpida, inválida e nojenta a qual dão o nome de “CUSTO BAIXO“.
É claro que o bairro inteiro acordou e Carlos sempre gentil, solícito, e companheiro, atordoado aparece com o fuzil AR 15 ( Baygon ) nas mãos pronto para eliminá-la.
O dia era especial, pois seria um dos raríssimos em que eu cozinharia e quem me conhece sabe o quanto ODEIO essa prenda do lar. Como seria a 3ª vez em 9 anos que cozinharia para meu neto, me sentia a própria Palmirinha da culinária.
Villy ainda dormia quando coloquei seu desjejum no quarto, pois só sob a escolta do Capitão Carlos antes de sair para o trabalho, pude preparar-lhe o feito.
Esperei que ele acordasse para só então adentrar à cozinha. Quando dei-lhe a notícia de que seria meu segurança para que pudesse preparar-lhe o almoço, ele rispidamente me disse que não, pois iria jogar no computador. Como boa Vó que sou, deixei-o a vontade para o lazer. Peguei meu livro de cabeceira, sentei em minha poltrona na sala e relaxei. Lá pela 12:45 Villy me grita do quarto que já quer almoçar. Caminhei até o quarto, parei diante dele e respondi: Também quero, mas vc escolheu jogar e eu só piso na cozinha sozinha dentro de um Caveirão.
Aborrecido, faminto e batendo o pé ele se levanta, vai para a cozinha, puxa uma cadeira, pega um jornal e diz: Vai Vó, começa a fazer a comida antes que eu me aborreça com esse medo idiota teu.
Assim, com ele vigiando o perigo fritei o bife, fiz o arroz, o macarrão, coloquei a mesa e em posse de meu fuzil AR15, almoçamos felizes às 15:00 hs.
Capitão Carlos chegou e ao ver a hora em que Villy almoçava se assustou. Ditou-me lições de moral, berrou regras de responsabilidades, cuspiu conselhos etc...
Deixei-lhes bem claro nesse dia que eles podem até ser uma Tropa de Elite, mas o Osso Duro De Roer sou eu!

AMIGO PARA SEMPRE!



Entendo teu ato e embora tua ausência me cause imensa dor, ainda assim acho que foi digno.
Em 47 anos de existência, você foi a 2ª pessoa que a vida me apresentou tão parecida comigo. Jamais vi uma lágrima sua, jamais te vi demonstrar rancor, maldade, mágoa. Sempre te vi com um sorriso nos lábios e nos fazendo sorrir a cada momento. Você chegava se fazendo notar, sempre disposto a ajudar, a alegrar, a ouvir, a opinar. Entendo teu ato e o aceito. Infelizmente você que tanto me fez rir, escolheu o dia que mais amo para partir...meu aniversário!
Você era a vida, a alegria, a espontaneidade, a franqueza sutil e ao mesmo tempo sarcástica que nos fazia entender, você brincava com as palavras.
Quem te conheceu sabe o quanto perderá de grandes momentos, de momentos alegres, sabe o quanto deixará de rir, de gargalhar, de cometer loucuras gostosas. Muitas coisas boas perderemos, coisas que você nos fazia sentir em sua companhia.
Como é bom saber que fiz parte de tua vida tão de perto, ainda te vejo em meu sofá, ainda te sinto em minha casa, deixastes muito de ti aqui. Minhas roupas, minhas paredes, minhas bijuterias, nossas absurdas loucuras de fazer tudo o que nem sabíamos. Bebemos juntos, dormimos juntos, rimos juntos, decoramos juntos...quanta coisa !Essas lembranças são valiosas, saudáveis, com elas percebo o quanto me fizeste feliz em inúmeros momentos de minha vida.
Aceito teu ato e entendo.
Pessoas como nós não toleram a vida pela metade, pessoas como nós não param para recarregar as forças, queremos a vida em sua plenitude, viver, viver, foi tudo o que aprendemos a de melhor fazer.
Não sabemos ser comedidos, sensatos, equilibrados, prudentes, não, não com a fome de vida que nos habita, não com o desejo intenso que carregamos de ser felizes. Tristeza, tédio, apatia, depressão, isso nos enfraquece demais, nos derruba, nos destrói.
Muitos te dirão fraco, covarde, preconceituoso mas onde fica o direito de escolha? o livre arbítrio?
O valor da vida é pessoal e pra nós o valor da vida é poder vivê-la! Cada um sabe sua importância, sua medida.
Vai em paz AMIGO, vai ciente de que por onde passaste deixaste vida, luz, alegria. Vai com a certeza de que ensinaste muitos a descobrir o prazer de viver mesmo já sem ter uma vida que te desse prazer.
Obrigada por ter feito parte de minha vida, TE AMAREI SEMPRE!
OBÁ JANDÊ – SEREIA.

PERSONAL VILLY!


Preocupada com minha forma física e aproveitando o fato de ter caminhado com a Santa no Círio, determinei a mim mesma que começaria a andar todos os dias de minha casa até o final da feira do Telégrafo ( 8 quadras ) ida e volta para perder algumas calorias que tomaram posse de meu corpo.
Ao passar pela casa de minha Mãe vejo meu neto e o convido para me fazer companhia no passeio, ele aceita de imediato, na verdade até me assustei com tamanho entusiasmo porém como ele também está acima do peso, achei que sua preocupação com a saúde e a estética era a mesma que a minha.
De mãos dadas iniciamos a caminhada, chegamos ao nosso destino deixando rastros de suor por onde passávamos.
Paramos um pouco para o descanso e batemos um papo agradável com Dunga por 10 minutos para encarar as 8 quadras de volta.
Retornamos alegres, conversando e nem notávamos mais o sol escaldante. De repente Villy me pede para parar. Meu olhar como que já adivinhando foi na mesma direção que o dele. Uma enorme barraca cheia de brinquedos que na ida nosso olhar não avistou.
Parei e já com dor no bolso, senti na alma que o dinheiro que eu levava comigo para comprar frutas tomaria outro destino. Pela bagatela de 15,00 levaríamos para o seio da Família Mattos mais um super herói.
Retomamos nossa caminhada, ele agora muito mais feliz e saltitante enquanto eu já sem fôlego, pedia a Deus um helicóptero para me resgatar. O suor de meu corpo já dava início a uma enchente no bairro.
Novamente ele me pede que pare, vejo então uma barraca de lanches e percebo em seu olhar que ele já havia escolhido até o sabor do refrigerante que acompanharia a guloseima. Para quem já não tinha forças nem para respirar como abrir a boca para falar? Mais uma vez o dinheiro das frutas foram parar na barraca errada. Enquanto ele se empanturrava devolvendo ao corpo o que havia perdido na ida eu o esperava me exercitando e passando atestado de louca para os demais.
Acabado o lanche, o levei de volta a casa da Bisa e quando me perguntaram se eu iria pegá-lo novamente no dia seguinte eu respondi: Não querida, 80,00 numa academia sai muito mais em conta que esse Personal Trainer.

AMIGA DE MIM MESMA!


Amigos estou assustada como alguém nos dias de hoje pode se deixar tão de lado, como uma mulher pode se esquecer tanto, se descuidar tanto? Como uma bela moça chega à maturidade de forma tão roliça? O que faz ela? se finge de cega? Não olha no espelho? Não encara a real?
Ah, tenha paciência, é demais pra acreditar que alguém pode levar uma vida tão normal assim acima do peso!!
O que falta para tomar uma atitude? O que será preciso para essa pessoa tomar consciência de que está excessivamente passando dos limites da visão normal? O que leva alguém a deixar que o tempo passe sem nada fazer para mudar essa situação?
Isso é inércia, indolência, alienação. Caminhamos hoje sob os olhares críticos e vigilantes das pessoas, o mundo exige de nos um visual harmônico, não dá pra ignorar isso tudo, se não pela estética pelo menos pela saúde.
A vida é luta, um desafio após o outro, batalhas e guerras para se chegar a conquistas e vitórias. Se estamos aqui temos que perseverar, insistir, ir em frente. Quem espera não sai do lugar, apenas vê o tempo passar e jamais vai alcançar sem buscar.
É preciso determinação, esforço, disciplina, auto-confiança para se chegar lá. É preciso querer para se ter...
Eu precisava dizer essas verdades a mim mesma para tomar uma atitude séria em minha vida e já que ninguém falou, o fiz.
Pronto esta feito, agora é só encarar.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

ELEIÇÕES 2010!


PROGRAMA DE GOVERNO
SAÚDE: Distribuirei remédios gratuitamente para a TPM que destrói tantos lares e relacionamentos.Abrirei mais 8 leitos na ala de fumantes do Hospital Barros Barreto inclusive para mim caso venha a precisar.
EDUCAÇÃO:Criarei Cursos Técnicos para os jovens se tornarem mais criativos e cavalheiros ao conquistar uma mulher e Profissionalizantes para os Homens de meia idade aprenderem a construir Famílias com responsabilidade.
ESPORTE:Distribuirei Vídeo-Games de bolso gratuitamente, além de Jogo de Varetas para as Donas de Casa que teem medo de sair às ruas devido assaltos.
CULTURA:Promoverei mais Reuniões em casa para que os Homens discutam Carnaval e Futebool e as Mulheres relatem a vida e os defeitos de amigas ausentes.
SEGURANÇA:Distribuirei Sepulturas para aqueles que ainda acreditam num mundo sem violência, cerca elétrica para as Escolas, creches e Igrejas e Passagens Aéreas para Marte aos que desejam fugir dos assaltos.
COMPROMISSO DE SÍLVIA:
__MACRODRENAGEM gratuita para os obesos que esperam até 8 anos na fila do Ofhir Loyola por uma Redução de peso.
__BOLSA PAGODE para que os Pagodeiros de plantão tenham entrada franca em casas de samba.
__VALE-SHOW que dará direito ao trabalhador Brasileiro a assistir até 3 shows nacionais de graça por ano.
__REDUÇÃO das TAXAS de Salões de Beleza, Cosméticos, Academias, Cirurgias Plásticas e Livros de Auto-Ajuda.
__TERMINAL DE INTEGRAÇÃO NO SAMBA onde o Sambista poderá curtir vários pagodes no sábado pagando uma única bilheteria.
__AUMENTO SALARIAL para quem consome mais de 8 baldes de cerveja nos finais de semana e para aqueles que fumam mais de 2 carteiras de cigarros por dia como eu.
__IMPLANTAÇÃO DE 100 UPAS-LELÊ, para atendimento 24 horas de pessoas Mal-Humoradas, Mal-Amadas, Mal-resolvidas e de Mal com a vida, que receberão assistência de Urgência e Emergência de Palhaços e Humoristas de plantão.

VOTE PELA ALEGRIA, PELO SORRISO E PELO BOM-HUMOR!

P A S N Partido Alto Do Sambista Nato.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

REDESCOBRI O AMOR!


Após alguns anos morando juntos a proximidade acaba nos afastando um pouco.
As conversas diminuem, os beijos já não são longos, a atenção é dividida com o trabalho, o futebool, os amigos. Os elogios ficam escassos, os passeios, jantares e motéis entram na lista de supérfluos.As brincadeiras, os presentes agora são para os netos e os abraços passam a ter horários certos, somente pra dormir.
O encanto, a magia, acabam deixados de lado na gaveta, no armário ou na estante. O dia-a-dia toma conta de nós...
Mas hoje tudo voltou forte novamente. Eu vi um Carlos lindo, gentil, amigo, solidário, inteligente, amoroso. Um homem digno do meu amor, da minha confiança, da minha admiração.
Sou feliz por tê-lo ao meu lado e jamais me perdoarei por ter deixado adormecer um sentimento tão forte e tão sublime.
Não será preciso que outra BARATA apareça e que o Carlos mate para eu me sentir amada e perceber que ele é o grande amor da minha vida. Carlos Magno é o meu Herói.

GENTE GRANDE!


Sábado eu havia prometido a meu neto levá-lo para jogar bola na praça. Saindo de casa para buscá-lo, recebo um convite tentador desvirtuando-me totalmente do caminho de uma doce Vovozinha...cair no samba. Me armei de desculpas, catei toda a psicologia que adquiri ao longo de meus 46 anos e fui ao seu encontro. Pedi para falar-lhe e por quase uma hora me derreti em afagos e doçura além de expor total segurança e equilíbrio num diálogo que faria Freud me invejar. Expliquei-lhe que um amigo meu enfrentava um momento muito difícil e que eu precisava estar lá. Discursei sobre amizade, solidariedade e tantos outros “ades”, seu rosto contraído davam cada vez mais linha ao meu papagaio e eu iludida de sua compreensão, seguia falando. Subitamente ele se levanta e diz: Tá bom Vó! Peço-lhe então que não termine nossa conversa dessa forma, que diga se entendeu e que exponha seu parecer. Grave erro o meu, parado, fitando-me nos olhos com autonomia e superioridade bem maiores das que eu pensava ter, ele me responde: “Entendo e não aceito!”.
Naquele instante percebi que Villy já era um rapaz de 8 anos. Juntei os cacos que sobraram de meu ser e como uma doce e angelical Vovó fui à praça orgulhosa por ver em meu neto uma personalidade admirável.

É CHEGADA A HORA!


Os fogos da Basílica anunciam um novo amanhecer em Belém, Periquitos passam em revoada, seria apenas mais um, dos dias que antecedem ao Círio se ao virar a página do calendário da cozinha, eu não me deparasse com a última sexta do mês de Setembro.
Todo Paraense sabe que nesse dia se começa a grande faxina da casa, a maior de todo o ano, portas, janelas, vidraças... Por instantes fico Catatônica, mas busco forças na Virgem Mãe Santíssima e aceito o fato.
Preparo o desjejum de Carlos e caminho para a sala, a intenção é ver o que pode ser reaproveitado da faxina anterior afinal, reciclar é a palavra da hora, mas não há um só lugar que eu possa fazer vistas grossas.
Decido encarar o fato e penso em uma trilha sonora para embalar este momento. SEGURA NA MÃO DE DEUS E VAI é a 1ª que me vem à cabeça. Pego o cd e ligo o som, devidamente armada de balde, vassoura, pano e Peroba, dou início a mais uma das inúmeras Homenagens a nossa NAZA, NAZINHA, RAINHA DO GRÂO-PARÁ e que abençoa minha vida, minha família, meus amigos e meu lar.

CÍRIO 2009!


04:00hs Domingo do Círio, saio de minha casa pés descalços, nas mãos carrego um terço de contas verdes. Contrita em meus pensamentos, caminho até a Sé. Pelas ruas um rio de gente começa a virar mar.No fim da missa, sigo carregada de fé o trajeto até a Basílica, ao meu lado vejo passar o carro dos milagres e uma vontade impetuosa me habita o ser de jogar a carteira de cigarros que trago comigo. Penso 1.000 vezes e chego a conclusão que é MELHOR NÃO!
Olho para os lados com vergonha do meu apego e me afasto da tentação. Subo a Presidente Vargas e dou início aos inúmeros pedidos e agradecimentos para a nossa Mãezinha. Conta após conta, vou pagando os meus pecados.
Ao chegar na Pça Santuário, meu estômago está nas costas, os pés cheio de bolhas, a sede é de quem atravessou o Saara. De repente surge a Berlinda, ao passar por mim, Nossa Doce Mãe Sra. de Nazaré lança seu olhar fitando-me fundo como que dizendo: Oh Graciosa e doce Vó!
Reverencio-a e me retiro com a grata satisfação de que ganhei sua benção para que meus amigos e familiares me aturem por mais um ano, perdoando-me pela louca que sou, pois metade de mim é amor e a outra metade também.

UMA VISITA ESTRESSADA!


Sexta-feira recebo a visita de minha filha Luana com Ananda em seu colo. De pronto vi seu stress e no olhar de minha neta o pavor do futuro. Ela foi logo dizendo que havia aplicado um “corretivo” em Villy e que estava nervosa. Rapidamente tirei Ananda de seus braços e enquanto Carlos a acalmava, eu tentava mostrar a minha neta que existe vida fora da cena que com certeza presenciou.
Após tudo se acalmar e ela me relatar a razão, peço que deixe Carlos buscá-lo para dormir comigo. Meu neto chega apático, triste e muito provavelmente, dolorido das palmadas que suas atitudes pediram. Conversamos sobre suas tolices, seus motivos e entre promessas de bom comportamento e carinhos de Vó dormimos agarrados.
Ao acordar ele já havia esquecido os percalços da noite anterior e brincava com os bonecos que trouxera enquanto eu labutava pela casa. Às 12hs fui para o banho e ao tentar entrar no quarto, não havia uma única lajota que eu pudesse colocar os pés, todas tinham sido ocupadas por super heróis. Parada e com pressa para o compromisso de 1hr, meu desejo era sair chutando todos, porem meu instinto anivolesco assumiu as rédeas da emoção dando-me a paciência que só as avós tem e o aniversário de 1hr ficou para as 4.
Devo agora procurar uma mansão pois, quando chegar a vez de Ananda provar da fúria da Mãe, as bonecas, ursinhos e panelinhas ocuparão um espaço bem maior em minha casa.

O SONHO!


Vejam vocês a ilusão do ser humano, eu iria dizer a minha filha tudo o quê ela passará daqui há alguns anos na adolescência de minha neta, mas minha Mãe não permitiu.
Minha intenção era apenas de prepará-la para quando esse mundo cor de rosa começar a desbotar!.
Eu iria alertá-la que enquanto babamos enternecidos com os movimentos de Ananda, ela se armazena de coragem e auto-suficiência para confrontá-la aos 13 anos. Queria dizer-lhe para não se deixar levar por essa carinha doce, esse jeitinho frágil, esse chorinho delicado, beicinhos, bichinhos e tchaus, tudo isso vira um rolo compressor dirigido por uma fera com vontades, verdades e autonomia maior que a nossa. Eu iria traquilizá-la que toda essa dependência de peito, carinho, presença, contato, se esvai num simples OI. Queria dizer-lhe que hoje, ela lhe mostra o mundo e amanhã, Ananda irá descobri-lo sozinha.
Tentei, mas atendendo ao pedido de minha Mãe, vou deixar que minha filha viva o mesmo que Eu...o sonho de que os filhos não crescem!.

SEMPRE ELA!


Uma Tsunami devastou meu emocional e todos sabem, os problemas nunca chegam em parcelas, eles fazem fila dupla. Atravessei mais uma noite longa admirando o teto do quarto, o sono pairava no ar mas não conseguia baixar a altura de meus olhos. Vencida pelo cansaço dormi.
Ás 6 de pé, percebi que mesmo com tantos problemas os ônibus passavam lotados, o dia amanhecia lindo, o sol raiava, a Farmácia abria, a vida continuava. Decepcionada com a falta de solidariedade do mundo e da natureza, fui para a cozinha fazer café. Meus olhos ainda marejados de longe avistaram ELA, passeando sobre a pia, com a desenvoltura de uma Top Model, era só nos duas naquele momento. Corri ao quarto e peguei o Baygon, descarreguei o tubo na direção exata com 5 mts de distância que o pânico permitia.
Sadicamente eu vibrava vendo-a se debater tentando subir a parede e caindo a cada tentativa. Uma hora mais tarde volto à cozinha e enfrento outro obstáculo em minha vida, remover o cadáver nojento. Feito, tanto o preciso quanto o café, me dirijo à sala, abro a janela, ascendo um cigarro e pergunto para Deus: Vai continuar me sacaneando ou vai dar uma trégua agora Pai?

A PERDA!


A dor da perda é inexplicável, nesse momento parece que vivemos um mixto de incredulidade e raiva. Muitos ao nosso redor mas poucos a nos confortar.
Tanto cuidado, tanta dedicação e no dia 28, às 09:32 hs perdi o que me fazia tão bem, tão feliz, tão gente, perdi um pouco do meu Glamour,do meu poder.
Hoje mais conformada com tudo, me obrigo a entender que nada na vida é eterno e que saberei levar como em tantos obstáculos já enfrentados essa mesma vida cruel adiante sem a unha que quebrou.
Cortei as 9 que restaram, elas me traziam profundas lembranças da que se foi. Me sinto melhor, porém ainda choro ao ver um beterraba ou um vermelho sedução, ainda sinto quando tento batucar na mesa, mas é da vida e fatos se enfrentam, tenho que aceitar. Bjs

O QUE FAZER?


Me sinto triste, preciso levantar meu ego mas a dor na coluna me impossibilita de fazer força. Devo pensar em mim, mas os credores e as dívidas ocupam todos os espaços na minha mente.
Pensei em acabar com tudo, mas dia 29 é meu aniversário e não posso faltar. Fugir talvez seja a solução, mas e se ninguém sentir minha falta??? Ainda não entrei em depressão por falta de tempo, o dia é corrido e quando chega a noite só penso em dormir.
Fumo descontroladamente, aprisionada no meu eu, alimentando-me de dúvidas cruéis como: Porquê as BARATAS existem? Qual a real importância do futebool para o ser humano? E como tirar manchas do guardanapo??????
Preciso de colo...e quem será o verdadeiro amigo que terá coragem suficiente pra me carregar????

O FIM!


Na vida esbarramos em pessoas poderosas, radicais, exigentes, sem compaixão, egoístas, frias, desumanas, mesquinhas.
Pessoas que nos tentam por pra baixo, afastar-nos dos que amamos, tirando nossa alegria, prejudicando nosso viver.
Deparei-me com alguém assim, eu, uma pétala de rosa tamanha fragilidade, impotente diante de tanta maldade e jorrando mais um açude de lágrimas. A OI, acaba de me silenciar.
Mas sou Brasileira e não desisto nunca, não tenho medo de ser feliz, relaxo e gozo no silencio que ela me impõe embora nunca na história deste País alguém tenha sido tão perseguido por uma conta telefônica como eu. Mas voltarei, assim como COLLOR e tantos outros, eu voltarei e darei meu grito de independência às margens do orkut dizendo a todos vocês que FICO.
Não me deixem só, não me abandonem, continuem me visitando pois o Deus do impossível, fará meu modem voltar a funcionar um dia.
Peçam por mim à Virgem, no Círio levarei na cabeça o envelope do parcelamento da dívida e lhes garanto... é muito pesado. Saudades...

SILÊNCIO EM MINHA CASA...


Silêncio em minha casa, passeio pela sala e percebo que o telefone agora é apenas uma peça decorativa.
Em passos de Cágado vou até o quarto e me prosto em frente ao computador, lanço olhares furtivos e ao mesmo tempo me pergunto: Como pude me apaixonar tão depressa por um ser tão inerte? Eu, tão madura, tão dona de mim, determinada, pé no chão... eu equilibrada, sensata, prática, objetiva. Tantos conselhos dei as minhas filhas para evitarem o vício, a dependência.
Agora cá estou, dependente, entregue e sem forças diante de um amor platônico.
Sento na cadeira e minhas mãos num gesto instintivo, acariciam o teclado. Sinto-me só, vivenciando o fim de um amor que preenchia todos os meus espaços.
Uma lágrima silenciosa e morna escorre em meu rosto e apática, deito minha cabeça sobre a mesa em que ele está na esperança da internet entrar.
Kéco do corredor se enternece ao ver a cena, é demais até mesmo para um cão deparar-se com tamanho desequilíbrio e entender tamanho amor.
E eu que pensei saber de amar, descubro que tudo o que podemos ouvir ou falar sobre esse verbo, será sempre teoria se você não o conjugar.

SEM SAÍDA!


Amigos, estou definhando. Já não sinto mais o frescor da vida que sentia antes. A distância me invade a alma e se alastra em cólicas por todo o meu ser.
Choro e desidrato a cada dia só de pensar em vcs. Meus lábios já não sabem mais sorrir, meus dedos já não sabem mais teclar, meus pensamentos começa a divagar.
Se a faca de minha casa fosse Tramontina, se minha água sanitária fosse Brilux, se champangnhe fosse veneno e se os ônibus de Belém fossem como os de Londres eu já teria acabado com tudo. Mas se viver pra mim é um flash, morrer deve ser um acontecimento noticiado no New York Times e com direito a luto oficial de 3 dias.
Vou segurar essa saudade e acreditar que muito em breve estarei de volta, pois se querer e poder: “Eu quero a minha internet de volta”.

A VERDADE!



Eu adoraria dizer a todos vocês que estou ausente por excesso de trabalho, fotos, desfiles, gravações, filmagens, entrevistas...enfim, coisas que são rotina em meu viver devido minha profissão de modelo. Como não caminho de mãos dadas com a mentira, prefiro pedir que vocês agüentem mais um pouquinho pois estou quase de volta aos braços do Orkut.
Já paguei a 2ª das 100 parcelas de minha dívida com a operadora e até que eu resolva essa desagradável situação, meu lindo e solidário irmão, me ofereceu seu quarto e seu computador para que eu possa navegar sem salva-vidas com os amigos.
Eu os amo, um a um e não vejo a hora de gritar isso todos os dias como antes.
Quando chegamos ao fundo do poço e não há mais o que descer...só nos resta uma saída, SUBIR. Me aguardem que estarei emergindo a qualquer momento

APATIA!


Visivelmente apática, notoriamente deprimida, completamente ciente de minha fraqueza e desânimo vejo diante de mim um mundo ruir.
A cada dia que se arrasta sinto o peso da ausência, a dor é tanta, tamanha, profunda, que as proporções atingidas jamais poderão ser calculadas por um mortal.
Eu despedaço, me desintegro pensando em vocês. Sou uma foto, um objeto inerte no canto da casa. De pessoa especial tornei-me ALGO...já não vivo, apenas existo! De furacão tornei-me brisa, de tempestade sou chuvisco.
Meu mundo está em preto e branco, sou um esboço, uma casca, de corda tornei-me fio, de história virei resumo, de resumo virei frase e da frase sobrou a palavra SAUDADE!
Sou a espera, o olhar, o silêncio. Sou o frio, a solidão, o desalento. Já não sou tempo sou momento. Ainda assim e diante de tudo...Eu voltarei!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Uma Vovó em Auros!



Sentada em minha cadeira de embalo, cesta de tricô ao lado, óculos na ponta do nariz e um cocó ao alto da cabeça, vejo o caos. Luana toma a tabuada de Villy enquanto Ananda faz birra para dormir.
A cada resposta errada de meu neto, meu reumatismo se manifesta e meus batimentos cardíacos vão a 180. Villy lança olhares de S.O.S para mim enquanto Ananda tal qual a Mãe, berra em altos decibés.
Em meu canto nada posso fazer, tenho a fama de deseducar, minha voz será abafada por uma frase típica de filhos já crescidos: NÃO SE META!
Tento me fazer de morta, mas o olhar de meu neto não me deixa seguir a luz. Indagações me vêem ao pensamento. Quem no futuro irá lhe perguntar quanto é 7X9 se já temos máquina de calcular até em celular? Até hoje ninguém me perguntou o que são enormes blocos de gelo desprendidos das geleiras circumpolares e não consigo apagar de minha mente o quanto isso me valeu para decorar..
Percebo que a situação se agrava quando Luana fala com Ananda de 6 meses como se tivesse 22 anos. Penso em intervir salvando minha filha de uma clínica ou ainda o futuro de meus netos, mas Adalberto surge do nada e para a minha tranqüilidade diz que veio busca-la para fazer o supermercado. O tom rosado da pele de meu neto volta ao seu rosto e já consigo novamente fazer planos de vê-lo crescer. A paz reina no ambiente e enquanto Luana se arruma para sair, reparo as asas de meu genro se fechando então nesse instante agradeço a Deus pelo Anjo Adalberto que colocou na vida de meus netos

O Homem Certo!


Ao saber do enlace de Lorena fiquei feliz, mas receosa por ser muito jovem. Para minha tranqüilidade conheci Léo. Domingo na cozinha da casa de Mamãe, num bate-papo agradável, Eu e Ana arrotávamos maturidade aos noivos com ensinamentos sobre os obstáculos que poderiam enfrentar. O momento era de conselhos, nos deliciávamos em falar de nossas experiências, pelo menos as mais agradáveis de uma vida a dois. Eu estava sentada à mesa e Ana, se encontrava em pé diante de mim. Éramos puro equilíbrio ao casal.
De repente Ana dispara gritos horrorosos com o olhar fixo para o chão, sem dúvidas do que se tratava , eu gritava mais ainda fazendo-lhe companhia. Ana paralisou enquanto eu sai em disparada.
Léo com heroísmo pisa e grita, matei Tia Sílvia. Eu e Ana ainda descontroladas gritávamos, Lorena prende o monstro em seu pé e nos tranqüiliza. Após isso, descobrimos que nada temos a ensinar aos dois, pois se juntos conseguem manter o equilíbrio diante de uma Barata, podem enfrentar qualquer obstáculo na vida. E quanto a Lorena, mesmo ainda muito jovem, soube escolher o Homem certo para casar.

POEMA DA SEMANA!



Rostos amassados ao despertar
Se olhando com contentamento
E um querer parecendo, um ter não tendo.
Pura ilusão de um breve alento.
O desjejum devorado as pressas
Um vestir sem compromisso
O beijo da despedida que virou vício.
Manhãs de um casal, é isso!
No reencontro um pouco mais de tempo
O cansaço, a fome e a saudade
Um diálogo financeiro inevitável
Que organiza o mês com crueldade
Trazendo a tona a responsabilidade.
Pela noite ainda alguns afazeres
Exaustos nos jogamos no colchão
Rogamos a sexta-feira dos prazeres
Que junto ao sábado e domingo
Encha de vida a nossa união.

Sílvia Mattos

POEMA DA QUARTA-FEIRA!

A tela, a grama, a dor
90 minutos que me trazem horror.
É falta, é pênalti, é tiro de meta
Na grande área, na lateral, seja onde for.
É um martírio me causando torpor.
Rádio, TV, comentários
Dribles, golaços tudo igual
Campeonatos que não findam nunca
Que enervam qualquer mortal.
3 atacantes, 2 bandeirinhas, 22 jogadores
Atormentando minha vida e acabando com o meu astral.
Berro, xingamento, palavrão
Um técnico no quarto a assistir
Na ilusão não vê que tudo é em vão
E que alguém do lado já pensa em desistir dessa união.

Sílvia Mattos

ELE...


ELE me completa, preenche meus espaços, me acalma...ELE é meu refúgio nos momentos de medo, meu porto seguro na solidão, meu amparo na incerteza, meu tudo no meio do nada... com ELE sou mais confiante e até meus pensamentos fluem melhor.
Eu o quero a todo instante, eu o tenho o tempo todo, sei que ELE me consome, que devasta meu ser e que estou presa à uma sensação ilusória de um prazer que nunca existiu.
É falta de amor próprio eu também sei, mas não consigo desligar-me DELE e por isso peço todos os dias a Deus para livrar-me de um câncer de pulmão que pode me causar este maldito cigarro.

No meio do Caminho!


O telefone toca, minha filha enlouquecidamente grita no outro lado da linha que meu neto tirou 6 em Matemática. Do alto de minha experiência, tento acalmá-la lembrando-a que em meu currículo de Mãe, também havia encontrado um 4 no meio do caminho.
Meu Psiquiatra até hoje não me dá alta pelos estragos causados no meu emocional daquela nota.
Também quis morrer, matar, fugir, gritar, mas o amor maternal tomou a frente de minhas emoções. Após exorcizar a raiva, olhei-a nos olhos e disse: SIM, nós podemos. Lembro-me 2 meses após a tragédia, o Nº 10 brilhando no alto de um troféu dourado trazido a mim pelas mãos da Diretora do Colégio Olimpus.
As experiências se repetem para que os filhos percebam que a raiva que os fazemos sentir muitas vezes, será benéfica para o futuro.
Hoje, Luana está quase formada e aquele 4 eu arquivei nas experiências dolorosas que a vida me fez passar. Como ajuda a minha filha disse-lhe: “Olhe fundo nos olhos de meu neto e como OBAMA diga cheia de entusiasmo e confiança...SIM, nós podemos!

PROCURA_SE!


Não sei bem quando o adquiri, mas minha Mãe do alto de sua sabedoria sempre me disse que um dia eu iria precisar dele. O ignorei, o desprezei, o deixei de lado em minha vida pois nunca pareceu-me realmente importante . Eu não lhe dei nenhum valor e só hoje me dou conta do quanto me seria útil, principalmente no relacionamento com minhas filhas que me entenderiam mais e criticariam menos se eu o tivesse comigo.
Passei pela vida em várias fases, pintei o mundo em vários tons e agora que sou uma doce e angelical Vovó, preciso encontrá-lo e incorporá-lo em meu viver.
Por isso amigos peço a ajuda de vocês, se encontrarem por aí um Juízo novo, sem uso, na caixa me devolvam, eu o perdi faz tempo e preciso mostrar aos meus netos que também sei ser normal.

Filhos, Filhos!!!!!!!!!!


Filhos, presente de Grego que a vida nos dá! Somos tomados por eles, vida, privacidade, liberdade tudo invadido. Estamos em tempo integral, nada nos escapa aos olhos. Estamos atentas, alertas e em vigília nos momentos críticos.
Luana e layane me comovem com tanto carinho, cuidado, atenção para comigo. Cresceram, seguiram seus caminhos, porém continuam GRUDADAS a mim. Moram a uma quadra de minha casa e mesmo com o sol escaldante de Belém, conseguem ainda o sacrifício de me fazer uma visita a cada 2 anos. Com a telefonia móvel precária deste País, as coitadinhas se matam por um telefonema a cada 8 meses. Filhas queridas!
Sou Mãe de muita sorte, ao abrir o orkut vejo o quanto elas se esforçam para me manter informada sobre suas vidas, fotos postadas me alegram ao vê-las felizes e saudáveis. Filhas amadas!
Amores, filhos, amigos, festas, trabalho, estou em 1º lugar agora de trás pra frente. Filhas que meu ventre gerou, deixaram a saudade e replantaram em meu coração Ananda e Villy, que me fazem manter a ilusão de uma nova versão das filhas que a vida tomou.

Amor Livre!


Eu amo o Carlos, não sei por quanto tempo o amarei, talvez até o momento em que ele me peça para largar o cigarro, ou até que me peça para parar de brincar, até que exija que eu crie juízo, até que diga que estou acima do peso, até que me impeça de falar, até que reclame da minha comida, até que me prive dos pagodes, até que me traia com uma Modelo, até que não queira discutir relação, até que me peça para acompanhá-lo ao estádio, até que evite meus amigos, até que me cobre responsabilidades, até que me tire a alegria, até que me faça arrepender, até que me maltrate, até que não me queira ter.
E assim o amarei, sendo-lhe fiel na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, respeitando suas rabugices e aturando todos os jogos de Campeonatos Municipais, Estaduais, Brasileiros e Internacionais, fingindo-me de morta nos comentários de radio, jornal e TV até que sua morte ou meu suicídio nos separe.

TÉDIO!



Domingo, 17:h tédio, acendo um cigarro e abro a janela, carros, ônibus, pessoas no ponto, nada. Fim do ato.
Sento ao lado de Carlos, 22 homens agora cegam seus olhos e minha voz, perde pra sensualidade com que Galvão Bueno lhe fala
Carrego minha insignificância e vou para o quarto. Procuro por cultura e busco ler. Encontro 4 revistas Recreio, 2 Álbuns de Figurinhas e 6 Gibbys do Homem Aranha. Ligo a TV e Fausto Silva berra aos meus ouvidos, ativo o Dvd, e já no ponto encontro a vida de Michael Jackson mais 3 de clips ao lado.
Deito e olho pro teto, deparo-me com um verdadeiro Templo erguido pelas aranhas que causa inveja aos da China. Vou à cozinha e vejo o que não vi durante a semana. O fogão pede socorro, a geladeira clama misericórdia, o piso já mudou de cor, a pia grita e a vassoura se agarra a mim implorando para que eu evite que ela perca os movimentos por falta de uso.
Acendo o milésimo cigarro e percebo que tenho agora afazeres domésticos para o amanhã. Descubro que minutos atrás eu era feliz e não sabia!

domingo, 22 de agosto de 2010

Oração do Equilíbrio.


Senhor, iluminai o meu viver.
Afastai-me das más companhias que só me levam ao copo. Vigiai o meu caminho desviando-me dos bares.
Que meus ouvidos só escutem teus louvores e não mais samba e pagode. Traz de volta a minha vida o que perdi Senhor, a consciência na hora da sede, meu fígado e a vergonha da segunda-feira.
Que minha mulher não me largue, se largar que eu não caia, se cair que eu não entre em coma.
Que eu valorize o açúcar mais que a cevada, a tua casa mais que os botecos, a tua palavra mais que as conversas de bar.
Que eu tema o bafômetro, a cirrose, as reuniões do AA, a sarjeta, o vexame, a clínica, o desemprego e a solidão.
Que o valor de um balde, eu transforme em dízimo para tuas obras. Opera em minha vida e levarei comigo de mãos dadas em tua casa, meu cunhado André Mattos e todos os amigos dele.
Amém.

Marido em Casa...Divórcio a caminho!



Feriado de 7 de Setembro, com a chegada de minha neta não fui aos Alpes Suíços como havia programado com Carlos, isso porém não me abalou pois estaria ao lado dele do mesmo jeito.
Como todas as manhãs, ligo a Tv nos telejornais, às 07hs preparo sua vitamina e ao voltar ao quarto, deparo-me com um canal de ESPORTES. Com delicadeza entreguei-lhe o copo e peguei o controle remoto.
Trocamos algumas palavras de amor e ele se dirigiu ao banheiro, na porta do mesmo, um rádio que é ligado todos os dias para informá-lo sobre ESPORTES.
Meu dia transcorreu como de costume. No almoço, preparei-lhe um frango Tailandês ao molho de Tucupi Africano. Ele se levanta, liga o rádio (agora em cima da geladeira) e almoçamos ouvindo ESPORTE.
Após deixar a cozinha em ordem, penso em assistir o noticiário e ao entrar no quarto a Televisão já se encontrava no globo ESPORTE.
Chega a hora da novela, silêncio nos intervalos e inúmeras indagações durante os capítulos. Ele me perguntou até quem era o diretor!!!
No fim do dia consegui entender que a causa de tantos divórcios nesse País, são os feriados no meio da semana.

Ingenuidade!!!!


Domingo, almoço em Família. Chego com Carlos a casa de minha Mãe e do portão vejo-a na porta da cozinha em sua cadeira de embalo lendo o jornal como em todas as manhãs. Beijo-a na testa, sento para um café e sou toda ouvidos para as intermináveis histórias e receitas que ela tem a ensinar. Entre um assunto e outro pergunto se André já acordou, cega de ingenuidade ela me responde que ele saiu tão cedo que nem viu, só o viu chegando às 7 hs da missa. Fecho meus olhos para tamanha ingenuidade e com heroísmo travo uma luta cruel, impedindo minha língua de saltar esmagando sua ilusão.
Doce Mãezinha, durante a semana queima a barriga no fogão fazendo vários tipos de chás para a diabete dele sem nunca imaginar a quantidade de cerveja que ele ingere nos pagodes.
Enquanto conversamos, o telefone não dá trégua e ela com seu reumatismo intenso, caminha para atender,de volta, já vem dizendo que são os amigos de trabalho dele. Percebo os adjetivos estampados nos rostos de Sônia, Sheila, Luana e Layane.
Ao acordar pelo meio-dia, ele passa por nós na cozinha com seus 2 metros de cinismo e o olhar dela parece dizer –Filho de ouro, enquanto o nosso diz Filho da P...

Parabéns às Mulheres!


Nós MULHERES somos ESPECIAIS porque o dia-a-dia nos torna assim.
Quem além de nós suporta a coceira nos olhos causada pelo lápis? Segura a vontade de urinar no meio de um show? Consegue procurar no meio da rua algo dentro da bolsa? Sente culpa e remorso diante de uma Lasanha? Passa a dor da perda de uma unha quebrada? Enfrenta a chuva com um saco na cabeça para proteger a chapinha? Discute ao telefone enquanto se arruma ou mexe uma panela?
Sim, somos Especiais.
Quando um casal está sentado na direção de quem a BARATA voa? Na hora de discutir a relação quem se interessa em falar? Quem consegue encontrar as coisas no supermercado? Quem usa o dinheiro como papel de troca e não como papel de estimação?
Somos Heroínas, pois sobreviver a tudo isso diariamente só mesmo com paciência, garra, determinação e coragem.
Somos Especiais, Inteligentes e Poderosas.
Parabéns a nós MULHERES!

Um irmão Urso!



Sábado, feliz e cantarolando atravesso a praça para almoçar com Mamãe. No caminho vou imaginando o quarto, a cama e o computador do André só pra mim pois às 12hs ele já ganhou a rua. Ao abrir o portão escuto um pagode no mais alto volume e penso ser Luana ou Layane,sendo que devido o horário ele já está na farra. Com o peso suave de meu caminhar, pego o corredor e ao passar pelo quarto para deixar minha bolsa vejo-o deitado. O susto baixa minha melanina a zero me deixando albina.
Não,vocês não sabem o que é passar um dia inteiro ao lado dele.Reclama, pede, encarna, perturba, atenta e mexe com todo mundo. Após o almoço, depois de tentar dormir sem que ele me deixasse, pergunto-lhe porque não está nos pagodes da vida. Com os lábios cerrados de quem está puto ele me responde:” Não tenho grana”. Diante do fato, nada me resta a não ser reunir a familia e fazer uma poupança URGENTE em seu nome para a felicidade de todos e para a tranquilidade de nossos sábados.

Sábado de Sol!


Sábado de sol, meu neto chega em casa inundando meu ser de alegria. A partir daí não dirijo mais minha vida e menos ainda as economias, pois como um contador, ele dita como e em q devo aplicá-las.
1º ato: o supermercado, lá percebo que só as crianças são felizes, deve ser porque elas trazem tudo o que querem e nós deixamos tudo o que temos. No cx, ele esvazia o carrinho como se não houvesse o amanhã. No caminho uma locadora me espera, minha presença é inevitável, mas nenhum filme tem a minha indicação...sou apenas a assinatura.! Em casa no quarto, Dvd, ar, e uma cama arrumadíssima ao seu dispor.
O resto do dia desempenho a função de camareira num hotel 5 estrelas, atendendo aos mais variados pedidos: pipoca, cereal, coca-cola, batata frita, mixto quente...
De noite, contabilizo mais um bico de papagaio pelos inúmeros brinquedos que juntei do chão ao longo do dia.
Exausta, ao deitar para dormir, divido ainda a cama com Bem 10, Bob Esponja, Hércules, Tarzan, Matrix e outros. Desmaio.
Na madrugada, um braço roliço enforca meu pescoço e em silêncio enternecida e sufocada, agradeço a Deus por fazer de mim a VOVÓ mais feliz do mundo.

Oração a Nossa Sra. da Obesidade.

Senhora do corpo esguio, Rainha da magreza, venho depositar diante de ti todas as minhas celulites, estrias e gorduras localizadas.
Consolo dos obesos, socorro das calorias, refúgio dos carboidratos, estende tuas mãos sobre meu apetite e me ajuda oh Senhora para
que minha gula seja curada , cegando
meus olhos para doces, massas, refrigerantes, sorvetes, cremes e guloseimas.
A ti recorro oh bela Senhora, para que eu venha a usar manequim 40 e não mais padecer de cansaço, calor e olhares críticos dos mais esbeltos
Com teu poder Mãe escultural, dá mais sabor ao agrião, ao alface, a rúcula e aos chás. Me livra da lipoaspiração, lipoescultura e redução de estomago.
Confiante que serei atendida, te peço(qnts Kg deseja perder) e prometo louvar teu nome a cada PSIU dirigido a mim. Amém

Currículum de Vó!


Em meu Currículo de Vó há experiência de sobra!. Adotei o Ursinho Pimpão; remei muito pra canoa não virar; fiz curativos na cabeça quebrada de Samba Lelê; quase morri de sede no Itororó;
Denunciei o Cravo que despedaçou a Rosa; sai na porrada com o Boi da Cara Preta e o Bicho Papão; aparei a Pombinha que caiu do laço; saí na captura dos 5 filhotes da Mamãe Patinho; fiz amizade com Tedy, Bila-Bilú, o Sr. Jacaré, Guto e Xuxinha; Vi a Galinha da vizinha com anorexia; consolei D. Baratinha que ficou pra titia; tentei convencer o Sapo a lavar o pé; dei de comer ao Pintinho Amarelinho; me abriguei da chuva forte que derrubou a Aranha;
Contratei advogado pro Soldado que não sabia marchar direito; fui pobre de marré de si; o Gato Berrô no meu ouvido; levantei Terezinha de Jesus na queda; esperei horas Papai e Mamãe voltarem da Roça;
É amigos, Eu entrei na roda sem saber como se dança aos 19 anos, mas entre meia volta / volta e meia, só não consegui ladrilhar a Rua pro Carlos passar, Esquindô Lelê, Esquindô Lalá. Bjs

Dia Internacional da Mulher.


O Carlos me ama de verdade. Para o dia da Mulher ele me disse que iria comprar um enorme buquê de flores mas viu que não passaria na porta; pensou em me dar um carro mas lembrou que eu não sei dirigir; ia mandar um helicóptero jogar pétalas de rosas em cima de casa mas podemos ter vizinhos com rinite alérgica; tentou um colar de pérolas ou esmeraldas mas era muito pesado; reservou a suíte presidencial do Hilton mas não costumo dormir fora de casa; ia me levar para jantar no La’ Pommedor mas sabe que eu prefiro comida caseira... só um homem apaixonado se preocupa tanto assim para presentear a sua mulher. Ganhei um lindo anjinho da Belém Importados de 2,99 e estou radiante pois depois de tudo isso quem vai ter coragem de dizer que sou boba e que ele não me ama?????????????

O Pouso da Barata.

Preparava uma bacalhoada de sardinha para o jantar, meu corpo envolto em um avental de seda, dava início a arrumação da mesa. Taças, velas, arranjo de flores, o de todos os dias afinal. De repente, uma coceira em meu braço! Meus olhos não acreditavam no que viam, ELA me fitando cinicamente. Tudo em mim paralisou,todos os órgãos, poros, células, mas minha garganta tomou à frente de tudo e num heroísmo inexplicável, lancei o mais alto grito já dado em todo os meus 46 anos de vida. A LOUCA atordoada, cai no chão de porcelanato da minha cozinha. Meu corpo reage. Esperneio e pulo tanto que o buraco que se abre daria pra cavar um poço artesiano. O telefone tocava e eu impassiva diante daquilo que a humanidade costuma chamar de BARATA. Deixar o local? Eu não podia, precisava da certeza de que ELA sairia pela mesma janela que entrou! Não sei por quanto tempo ali fiquei, mas foi o suficiente para ver minha vida ser passada em preto e branco. Não era medo o que sentia era pavor, fobia, nojo, asco, aversão, pânico... Satisfeita com o caos que causou em meu emocional, ELA saiu cambaleando após 3 tubos de Baygon que descarreguei em seu corpo. Só então corri ao telefone que insistia e Ana, uma amiga que mora no Paar, dizia ter escutado meu grito sentada em seu sofá. Finalmente Carlos chega, ele também dizia ter escutado, o que o fez largar correndo seu emprego na Marambaia e correr pra casa preocupado. Ao me ver enlouquecida pergunta se estou bem e respondo-lhe que sim, eu estou, porém com certeza a intrusa se viva ainda estiver, já perdeu a audição.

domingo, 8 de agosto de 2010

CARLOS JORGE DE MATTOS 3


CARLOS JORGE DE MATTOS
A maior das saudades
O mais terno carinho
O mais sublime sentimento
O mais sincero agradecimento
A mais dolorosa perda
O mais gostoso sorriso
O mais prazeroso diálogo
O mais verdadeiro amigo
O mais exemplar modelo
O mais digno dos ensinamentos
A mais pura essência
A mais doce lembrança
O maior orgulho
A pior das certezas em mim
Mostrando fielmente que a vida tem um fim.
Nada, nunca e ninguém chegará perto do que foste para mim!

CARLOS JORGE DE MATTOS 2


Posso dizer que sei o valor da vida mas o sentido dela ainda busco até hoje, ainda tento entender.
Algumas vezes ao acordar, uma angústia me toma, um pensamento de saudade extrema, uma carência, um vazio. Entre lembranças melancólicas choro calmamente, sem dor, indagações ou revoltas. Um choro terno, tranqüilo, tímido, como que dando liberdade para as lágrimas aprisionadas que se acumularam durante a vida e que escorrem lentamente uma a uma, limpando a alma e acalentando o ser.
Nesses momentos repenso minhas atitudes, defeitos, falhas, erros, vícios. Passo a limpo minha história e embora goste do que vejo e sou, abro espaço para ouvir a consciência que sempre acusa, aponta, julga,critica e condena.
Poucas vezes senti tristeza em minha vida, raiva sim, raiva é reação, tristeza é perda e isso desencadeia em mim diversos efeitos e sintomas dos quais luto para seguir em frente.
Vazio, ele traz as recordações, nele descanso meus pensamentos e divago num mundo só meu. As vezes acho que me perdi no meio do caminho e diante do nada, tento enlouquecidamente fazer algo que dê valor à minha existência, que dê sentido ao que me tornei.
Poucos entenderão, foi um breve momento de extrema fragilidade, de forte saudade, da intensa presença, de um passado ido porém nunca digerido que me levou CARLOS JORGE DE MATTOS!.

CARLOS JORGE DE MATTOS 1


Sonho com o dia que sairei de mim e nos encontraremos para passear e conversar como antes. Espero ansiosamente esse momento que sem a fragilidade que a frase expressa “ Me tornaria o ser humano mais feliz deste mundo “.
Sinto falta de tuas palavras, do teu olhar tranqüilizador, do teu abraço aconchegante e das tuas mãos me indicando o caminho.
Não penso que isso seja possível somente com a morte pois não creio em outra vida, não creio em plano espiritual. Penso em sonho mesmo, dormir e te ter comigo através do meu desejo intenso de te reencontrar.
Não busco com isso o passado, busco o prazer da tua presença, a companhia da beleza do teu ser, o testemunho da tua determinação e das tuas atitudes sempre tão corretas.
Busco me encontrar pois hoje percebo que passei a vida inteira tentando ser você. Passo meus dias a limpo e só vejo teus ensinamentos indicando minha estrada a seguir.
Fui moldada a teu caráter, cópia fiel de um aprendizado embora ainda me sinta uma mera ilustração.
Você está em mim na essência, te busco em pensamento e lembranças. Ainda que eu não consiga definir a sensação, ainda que eu não consiga explicar...te sinto e me fortaleço na ilusão de tua deliciosa, silenciosa e confortadora presença.

sábado, 26 de junho de 2010

ASTROFOBIA.



Eu gostaria de poder falar aqui somente de coisas boas, coisas alegres, agradáveis, momentos felizes que embelezam meus dias. Infelizmente, não é só de risos que se preenche uma vida, não e só de flores que se constrói um caminho.
Algumas pessoas guardam bem dentro de si, problemas que as vezes carregam por uma vida inteira sem solução. Problemas que não sabemos de onde surgem, mas devastam de maneira cruel o nosso emocional.
Sofro de Síndrome de Pânico, mais precisamente de ASTROFOBIA, sentimento de pavor aos trovões e relâmpagos. O medo está enraizado em mim, ocupa um lugar de destaque em minhas poucas fraquezas. Não há como imaginá-lo e ainda que alguém tente com o único intuito de me ajudar, jamais chegará perto em sua imaginação.
Hoje ao escrever sobre o que me acomete, sinto-me apática, sinto que ele está muito acima do seu nível normal, acho que por isso é denominado Pânico.
É cruel, desmedido, avassalador, imponente, prepotente e tirano. Escraviza, domina, humilha. Impõe sua presença de forma covarde e opressora e deixa uma sensação desconfortável de impotência, de vergonha.
Basta um clarão no céu e todo o meu ser caí como num passe de mágica. Tremor, pavor, suor, descontrole e 46 anos de determinação e coragem, são transportados a 5 anos de idade com suas inseguranças e fragilidades. Meu corpo, meu eu, tudo vai pro chão.
Rogo, rezo, peço, imploro e evoco Deus, repetidas frases de encorajamento e fé, poucas vezes tenho as mãos de quem se propõe a dar um pouco de solidariedade. Poucas vezes sinto a compreensão no silêncio de quem está ao lado(quando há alguém ao lado)
Respeito? Não, seria exigir demais. Na maioria das vezes, as pessoas esboçam sorrisos pela infantilidade que meu comportamento expõe. Geralmente vomitam inúmeros conselhos e lições, parecer e explicações. Falam com autonomia, conhecimento e segurança de “Coisas da Natureza”, “ Pára-Raios”, “Nuvens negativas, positivas” etc...Como se conselhos, palavras, afirmações, fosse o suficiente para me livrar da crise, do transe, como se ao ouvir eu ingerisse quilos de coragem, como se a presença deles me trouxesse a cura.
Ninguém pode imaginar o quão sozinha e doente estou nesses momentos de tempestade, embora acompanhada em raríssimas vezes, é sozinha que me sinto e doente que me vejo.
Busquei tratamento, fiz terapia por 8 meses e posso dizer que obtive resultados favoráveis diante do que eu apresentava na época. Não pronunciava a palavra raio, vedava meus olhos, renegava a vida e ficava deprimida e triste por dias após a chuva.
Não sei em que parte de minha história isso começou, sei que já são exatos 16 anos travando uma luta do prazer pela vida contra o desprazer dos momentos chuvosos.
Sei que somos na maturidade o reflexo de nossa infância, carregamos pela vida a fora, lembranças inconscientes de fatos vividos no passado, nossa personalidade se molda com algumas pitadas de marcas adormecidas em nós, armazenamos emoções que de alguma forma se projetarão no futuro, pois estão lá bem no fundo, prontas para emergir ao 1º problema, ao 1º obstáculo ou desafio que a vida nos apresentar.
Acho que é isso que se passa comigo, sigo devorando a vida numa incansável e incontrolável vontade de viver, faço de meus momentos felizes “ Dias de Sol”, amenizando e tentando controlar um medo que muitas vezes me tira a vontade de ir em frente.
Agradeço a todos que sabem o que vivo e que de alguma forma, até mesmo de maneira errada, tentam me ajudar. Peço, não demonstrem pavor na frente de crianças, não usem frases como “ Papai do Céu tá brigando”, Não as culpem por nada nunca, apresente suas falhas, conscientizem-nas de seus erros, ensinem sem exigências. As mensagens ficam gravadas no inconsciente e no futuro, a infância traz de volta de maneira desastrosa. Conheço uma frase de autor desconhecido por mim, que usarei para encerrar esse texto e que se enquadra bem a todas as situações em que seja necessário um ato de amor e compreensão para com alguém.
“ Dê-me seu amor quando eu menos merecer, pois será com certeza quando eu mais precisarei”
SILVIA MATTOS

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Sheila, o Milagre da Amizade!


5 de Dezembro de 2009, 01:30 madrugada de domingo, o telefone me desperta para o caos em família. No outro lado da linha, ouço meu irmão num pedido de socorro sonolento para Sheila. Levantei-me e parti para inicio de uma cruel realidade.
Chegando a casa de minha mãe, deparei-me com Sheila em completo desespero, as mãos no alto da cabeça, gritando em agonia a dor que lhe consumia. Rumamos para a emergência e após 2 horas em atendimento e observação, retornamos com leve melhora do quadro.
Às 04:45 já de volta em minha cama, uma nova chamada, a situação se agravara. Retorno sem jamais imaginar que naquele instante a vida escrevia mais um capítulo doloroso na história da Familia Mattos.
Após 6 meses, tento colocar pra fora o leque de emoções que vivi, todo o roteiro do que foi para mim a prova prática da sobrevivência ou um simulado de sanidade e heroísmo.
Dias de corre-corre, noites de sobressaltos, horas de aflição, intermináveis indagações, lágrimas, desespero, incertezas, buscas incessantes, apatia, desânimo, dor, espera.
Eu vivi intensamente cada momento, vírgula por vírgula, cena por cena, cada minuto do que me foi imposto. Vi por 3 vezes a morte anunciar sua presença no leito de minha irmã. Em meu intimo, a realidade duelava com a fé numa luta que parecia não ter fim.
Vi amigos distantes já esquecidos, se chegarem como se nunca tivessem partido; vi amigos íntimos do dia-a-dia, se afastarem como desconhecidos; vi pessoas desconhecidas que o momento os transformou em amigos.
Não preciso rastrear os fatos, trago ainda como ela seqüelas do que vivi. Minha ansiedade aumentou e ganhei peso, tenho momentos de irritabilidade, de medo, angústia. Trago um emaranhado de situações que antes não vivia, sonolência, esquecimentos, pesadelos. Tudo conseqüência das condições em que suportei a guerra declarada contra mim e meus irmãos.
Vi minha Mãe emocionalmente abalada, a Sheila mentalmente fragilizada, minhas filhas intelectualmente confusas enquanto Eu, André e Sônia nos tornávamos reféns do medo de diagnósticos cansativos e vazios, do dia-a-dia sádico, do hábito torturante de boletins médicos que tentavam explicar o inexplicável. Membros de uma família inteira se fragmentando individual e silenciosamente.
Nós 3, procuramos nos manter adequadamente adultos, tranqüilos, em silêncio assimilávamos tudo mas não entendíamos nada, na verdade, nossas atitudes eram automáticas, a vida já havia nos unido dessa forma há 18 anos atrás, desestruturando nosso emocional com a partida do Velho Mattos.
Incredulidade, era isso o que nos tomava de assalto a cada boletim médico, Encefalopatia Grave,/Lesão Isquêmica de Origem Bólica/Derrame Cerebral/Hipóxia/Aneurísma/Tetraplegia etc...nosso nível de aceitação e tolerância foi acima do limite, os diagnósticos eram absurdos, os médicos entravam em conflitos, as explicações eram superficiais, duvidosas, faltava clareza, opiniões exatas, parecer determinado, firme e com precisão. Mas como explicar o que não existe, o que não se vê?
Tumografia computadorizada do cérebro, Tumografia Computadorizada do corpo, Ressonância Magnética, Punção, exames laboratoriais bacteriológicos e nada, nada era encontrado. O desdobramento do quadro era o pior, não havia como entender, como decifrar os caminhos inesperados para o qual a patologia de Sheila tendia.
As frustrações se acumulavam, já não era mais possível considerar nada, definir nada, esperar nada.
Todas as religiões foram apresentadas a nós, rezas, orações, missas, cultos, trabalhos, em todos os caminhos buscávamos DEUS. O carinho das pessoas com sentimentos nos surpreenderam. A todo instante mensagens de conforto, telefonemas, visitas. Demonstrações intermináveis de FÉ e a Fé venceu.
Nunca adotei em minha vida nenhuma religião que não fosse a minha de batismo, CATÓLICA. Sempre expus minha opinião contrária e sem receios, sempre discordei, contestei, divergi do que não me parecia lógico. Jamais me interessei por vida após a morte, anjos, horóscopos, entidades, misticismos, etc...46 anos dedicados a uma única crença. Contestei Dogmas, seitas, filosofias de vida, questionei até as leis Divinas.
Hoje, diante de tudo o que vi e vivi, revejo meus conceitos e já não sou mais cética como antes. A medicina, os Médicos, o andamento, o desenrolar da patologia de Sheila contribuíram para isso e agora eu creio que tudo pode existir, inclusive a maldade e embora eu creia em tudo, adotei Deus como minha religião e sei que ele atendeu aos inúmeros pedidos dos maravilhosos amigos que de mãos unidas às nossas, pediram por Sheila.
Seria uma felicidade muito grande para mim registrar aqui o nome das pessoas que atravessaram esse difícil momento com a familia Mattos, pessoas que nos ajudaram de alguma forma até mesmo em pensamento, mas sob o risco de cometer o erro de esquecer um único nome, decido não fazê-lo.
Trago em meu coração o desejo de muita saúde a todos, em meus pensamentos a eterna lembrança do carinho de vocês e o firme propósito de colocá-los sempre em meus momentos com Deus.
Sheila caminha com sucesso na retomada da felicidade interrompida, saboreando a cada dia a vitória de ser merecedora do amor de Deus e do milagre da amizade de todos vocês.
Obrigada sempre!

Amor & Amizade.


Dúbio, contraditório,
Descompromissado compromisso de cumplicidade,
É a total segurança do que não se tem
É de fato, não de direito.
É um equilíbrio dosado em exagero de tanto querer bem.
É o beijo lambuzado na emoção carregado de razão.
É um estar sem ter na proximidade da distancia.
É um encontro casual com lugar e hora certa.
É liberdade aprisionada nas atitudes do prazer da confiança.
É um olhar profundo e terno sem significado e cheio de carinho.
É um toque que vira carinho num desejo sem expressão explícita.
É dividir com possessão o que não se tem.
É um penetrar profundo na alma sem que se chegue ao intimo.É um zeloso desuso do que é especial.
Machuca e fere sem danificar.
É um romance de 1.000 páginas em branco.
É uma história inteira sem ter nada pra contar.
É a totalidade parcelada
De amar, amar e amar.

O que pode ser mais intrigante que a Amizade verdadeira entre um Homem e uma Mulher?

Sílvia Mattos

O VALOR DA VIDA!

O VALOR DA VIDA!

O valor da vida é a importância que você dá a si mesmo.
É o tamanho dos seus sonhos
É o prazer das amizades,
A união da família
A beleza que você enxerga no outro
É o sentir, o tocar, o estar realmente em si e em todo lugar.
O valor da vida é o tamanho de sua fé
De sua esperança.
É querer ter, buscar, ir.
É quanto você teima, abusa, usa.
O valor da vida está na solidariedade, na compaixão, na comunhão, na comum ação.
É ser, estar e permanecer.
O valor da vida, é o valor que você da a tudo o que te cerca
E que te faz crescer um pouco a cada dia mesmo que você não note.
A vida não tem preço, suas atitudes é que te farão ser valorizada.
Aconteça!.

Sílvia Mattos

AS 12...

Em toda a minha vida esse foi o texto que passei mais tempo para escrever. Ainda não acredito na cena que presenciei em minha casa, ainda não entendi que regras infringi das leis de Deus para merecer tal provação, ainda tenho o olhar perdido no nada a procura de respostas.
3 dias já se arrastaram até aqui e minha vida estagnou naquele momento. Se Carlos não estivesse ao meu lado, hoje eu seria uma Vovó de rua, sem teto, dormindo em bancos de praças.
Voltávamos do supermercado e cavalheiro como sempre, ele abre a porta e faz o gesto para que eu entre primeiro. Entrei mas não pude dar o 2º passo, fiquei catatônica diante de tudo. Cheio de sacolas e querendo entrar, eu ouvia longe sua voz me pedindo passagem, ainda conseguia ouví-lo aborrecido pelo peso das compras que carregava mas minhas pernas não obedeciam meu cérebro, na verdade nem cérebro eu tinha mais naquele instante, o sangue se esvaiu de meu corpo e de marrom, fiquei bege.
Não, não era verdade eu pensava e ao pensar, me dei conta que minhas reações retornavam lentamente. Já sentia meu coração bater, já conseguia respirar, mas minhas pernas e meus olhos não mexiam. Enquanto isso, Carlos atrás de mim se amaldiçoava por não ter me pago uma redução de estômago, se o tivesse feito, nesse momento ele me carregaria facilmente e colocaria as compras para dentro.
Recobrando minha consciência dei um passo para traz repentinamente e como ainda não havia recobrado a fala, Carlos foi pego de surpresa, atropelado com as compras ouvindo o barulho do prejuízo dentro das sacolas.
12, 12, 12 BARATAS mortas pelo tapete, pelos cantos, ao lado dos pufs. 12, foi o que ele retirou com a pá de lixo. Com as 12 ele passou pelo pátio para jogar na rua e eu não conseguia gritar, chorar, falar.
Pensei em dormir na calçada mas era era da vala que elas vinham, pensei em dormir na praça mas Carlos já sem paciência, prometeu fazer minha escolta até o quarto.
É claro que não dormi a noite inteira e Carlos mais alterado ainda ficou pois NADA no Universo me faria apagar a luz. No dia seguinte encontro minha vizinha e conto-lhe a tragédia em minha residência, com a pele esticada de uma boa noite de sono, ela me diz que foi por que detetizou sua casa. Dei-lhe um sorriso de boca fechada e olhos cerrados, gritei mentalmente 3 palavrões e a partir de então, procuro casa para alugar em uma ilha deserta.